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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Presidente do Sudão acatará a decisão popular

TAPETE VERMELHO Bashir, com a túnica azul, é recebido em Jubá pelo presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir (à esq. de chapé

Há algumas semanas, a cena seria inconcebível. O presidente do Sudão, Omar al-Bashir, um homem procurado por crimes de guerra e contra a humanidade pelo Tribunal Penal Internacional, da ONU, chega a Jubá, capital do sul, é recebido com um tapete vermelho e se encontra com diversas autoridades do governo autônomo do sul. No evento, realizado cinco dias antes de um referendo decisivo que pode sacramentar a separação entre norte e sul, ele diz que aceitará o resultado, seja qual for. A surpreendente cena ocorreu nesta terça-feira (4), e pode representar a vitória final da diplomacia no conflito mais mortífero que o mundo já viu desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
No próximo domingo (9), a população do sul – majoritariamente negra e cristã ou animista, vai às urnas decidir se quer ou não se separar do norte, onde a maior parte dos habitantes é de árabes e muçulmanos. Bashir, o presidente árabe, sempre foi contra a separação, e por anos liderou o norte em uma sangrenta guerra civil que deixou milhões de mortos, mas agora parece convencido ser mais vantajoso abrir mão de um enorme território rico em petróleo do que se engajar em uma guerra que não pode ganhar. "Pessoalmente ficarei triste se o Sudão se dividir, mas ao mesmo tempo ficarei feliz se tivermos paz no Sudão entre os dois lados", afirmou Bashir. "Vou celebrar sua decisão, mesmo que seja a secessão", disse.
A nova postura de Bashir, se deixar o campo das palavras e se transformar em realidade, só pode ser atribuída ao trabalho diplomático da comunidade internacional. Países como Estados Unidos, Reino Unido e Noruega vinham tentando convencer os dois lados de que a paz seria vantajosa. Para Bashir, os "prêmios" pela aceitação da paz devem ser gordos. Entre eles estariam a retirada do Sudão da lista de Estados patrocinadores de terrorismo, o cancelamento de algumas sanções impostas ao país e a rediscussão da dívida externa sudanesa. Dependendo de como a negociação diplomática se deu, Bashir pode até ter exigido um prêmio maior e pessoal – o relaxamento do processo que corre contra ele no Tribunal Penal Internacional pelos crimes contra a humanidade cometidos em Darfur.
Seja como for, Bashir parece genuinamente disposto a "liberar" o Sudão do Sul. No evento em Jubá, nesta terça-feira, ele ofereceu ajuda "técnica, logística e profissional" do norte assim que for necessário. "O benefício que temos na unidade, podemos ter também em dois Estados separados", afirmou.
O referendo de domingo (9) é o passo final no Acordo de Paz Abrangente, assinado em 2005, que deu autonomia ao sul por cinco anos e programou a votação popular. Se a secessão for confirmada, o Sudão do Sul deve permanecer mais seis meses junto ao Sudão até conseguir sua independência formal.
Fonte: Época

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