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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

O drama dos uigures na China


Sem ter um embaixador pop como o Dalai Lama, a minoria muçulmana uigur na China vive um drama pouco conhecido no exterior. No ano passado, um protesto de estudantes uigures por crimes não-esclarecidos contra conterrâneos no sul da China descambou para uma violência racial de uigures contra han e vice-versa que matou mais de 200 pessoas _ o que desmente o discurso oficial chinês de "harmonia étnica". De julho a dezembro, a província de Xinjiang, onde vivem os uigures, ficou sem acesso à internet "por razões de segurança".
Por seus estudos sobre o fracasso das políticas chinesas para as minorias étnicas do país, o professor de economia Ilham Tohti, 41, foi preso no ano passado por dois meses. Membro do Partido Comunista chinês e professor da estatal Universidade Central das Nacionalidades, ele diz não defender o separatismo, mas critica a discriminação sofrida pelas minorias "que preservaram sua identidade cultural" e diz que com o fim do comunismo, a ideologia dominante é o "nacionalismo da maioria han", o que deixa de fora uigures e tibetanos.
"A China precisa aprender a se orgulhar de ser um país multiétnico, e não de tentar a assimilação à força", diz Tohti. Ele cita diversos exemplos. "Há 6600 taxistas em Urumqi, mas apenas 90 são de minorias étnicas. Enquanto em outras Províncias, o taxista precisa ser local, em Xinjiang pode ser de fora, o que facilita a migração de han para lá. A estatal China Unicom em Xinjiang tem 1200 funcionários, só 2 são uigures. No banco China Marchants, de 1300, só 12 são de minorias. Na estação de trem, poucos balconistas são uigures", critica.
O governo tem estimulado a migração interna de chineses han para Xinjiang. Na capital, Urumqi, onde abundam os empregos no funcionalismo público, 70% da população já é chinesa han (era menos de 10% nos anos 50).
"O modelo de vestibular chinês, o gaokao, é muito injusto com as minorias. A nota de corte é fácil para os han, mas é alta para os uigures que não dominam o mandarim", diz Tohti. "Nas universidades locais, em 1978, 78,9% dos alunos eram das minorias étnicas, hoje são 17,7%".
Fonte: Folha OnLine

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