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terça-feira, 31 de agosto de 2010

Rússia - Uma visão desde o Principado

Kremlim - Sede do governo da Rússia
Maior país do mundo. Herdeira política da extinta União Soviética, a Rússia é habitada por uma grande diversidade de povos e conta com cerca de 80 etnias diferentes.

Estende-se por parte da Europa e da Ásia e caracteriza-se por invernos longos e rigorosos, sobre os quais se apóiam tanto seu folclore quanto sua fama.

Berço do Comunismo, é uma terra de superlativos: tem o mais extenso rio europeu (o Volga), o maior lago do continente (Ladoga), o maior volume de água interior do mundo (o Mar Cáspio) e o lago de água doce mais profundo do mundo (o Baical).

A passagem do regime comunista para o capitalista foi desastrosa. Desde 1991, a economia russa amarga uma prolongada recessão e queda nos níveis de produção, emprego, consumo e atividade econômica. Esse quadro sócio-econômico vem sendo agravado pelo avanço do crime organizado, que tomou conta de vários setores da sociedade.

HISTÓRIA

A história do país pode ser entendida como uma luta entre duas forças – os asiáticos e os europeus, em busca da supremacia. Desde os tempos antigos, povos e influências do Oriente e do Ocidente modificaram a vida do país.

Primeiros Tempos. Desde cerca de 1000 a.C., os cimérios viviam ao norte do Mar Negro. Após o domínio dos citas (700 a.C. a 200 a.C.), a região caiu sob o poder dos sármatas. Em seguida, reinaram os godos, de 200 d.C até cerca de 370 d.C., e os hunos, até 453 d.C. Finalmente, chegaram à região os ávaros, os cazares, os eslavos e os varegos.

O primeiro Estado russo foi fundado no séc. IX, em Kiev. No séc. X, os príncipes russos passaram a chamar o soberano de Kiev de grande príncipe. Por volta de 988, o grande príncipe Vladimir I, batizado no ramo Ortodoxo Oriental da Igreja Cristã, transformou o cristianismo em religião oficial.

O poder de Kiev começou a diminuir na segunda metade do séc. XI. No séc. XIII, a Rússia foi conquistada pelos mongóis, que destruíram várias cidades. No séc. XIV, no reinado de Iúri, de Moscou, esta cidade tornou-se mais forte e rica. Em 1480, Ivan III, o Grande, conseguiu romper com o domínio mongol.

Em 1547, Ivan IV, o Terrível, adotou o título de czar e estabeleceu pleno poder sobre toda a Rússia. Deu início a um reinado de terror com a prisão e execução de oponentes. Foi também um grande conquistador de terras. Nessa época, a servidão tornou-se a base econômica do poderio russo.

Os Romanov. Após 1598, a Rússia viveu um período de guerra civil, invasão e dificuldades políticas que perdurou até 1613. Depois disso, subiu ao trono Miguel Romanov. Os Romanov governaram a Rússia até 1917. Entre eles citam-se Pedro, o Grande; Catarina II, a Grande; Alexandre I; Nicolau I; Alexandre II e Alexandre III.

Nicolau II tornou-se czar em 1894. Enfrentou o descontentamento entre a crescente classe média e os operários nas cidades, que se organizaram politicamente. Em 1898, os marxistas, defensores da revolução entre o operariado, criaram o Partido Trabalhista Democrata Social Russo, que se dividiu depois em bolcheviques e mencheviques.

Revolução Russa. A insatisfação do povo russo piorou após uma depressão econômica iniciada em 1899 e agravou-se ainda mais depois da derrota na guerra com o Japão, em 1905. Nesse ano, os trabalhadores promoveram greves gerais, e o movimento revolucionário ganhou força.

A inquietação popular aumentou com a participação da Rússia na Primeira Guerra. O povo sofria com a escassez de alimentos, combustível e moradia, pois, durante a guerra, as ferrovias transportavam suprimentos militares e não podiam servir às cidades.

Em março de 1917, a população revoltou-se. A Duma (Parlamento) formou um governo provisório, e Nicolau renunciou ao trono. Um Soviete (Conselho) menchevique foi formado em Petrogrado, e Aleksandr Kerenski tornou-se primeiro-ministro. Este, no entanto, foi acusado pelos insucessos na guerra e perdeu o apoio popular. Lenin, o líder bolchevique, convenceu seus parceiros a tomar o poder. Leon Trotski o ajudou a planejar a ação. Depois de controlar Moscou, os bolcheviques formaram um novo governo, presidido por Lenin. Em seguida, a Rússia retirou-se da Primeira Guerra.

Nova Política Econômica. De 1918 a 1920, o país viu-se dilacerado pela guerra entre comunistas (os vermelhos), e anticomunistas (os brancos), que acabaram derrotados. Depois da guerra civil, a economia russa estava arruinada. Houve novas rebeliões de camponeses, greves de trabalhadores e uma revolta de marinheiros.

Em 1921, Lenin estabeleceu a Nova Política Econômica (NPE) a fim de fortalecer o país. O governo manteve o controle de vários setores da economia, distribuiu terras para os camponeses e colocou operários para administrar as indústrias. A economia, então, se recuperou.

URSS. Em 1922, foi criada a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), com quatro repúblicas: Rússia, Bielo-Rússia, Transcaucásia e Ucrânia. Mais tarde, Tadjiquistão, Turcomenistão, Usbequistão, Casaquistão, Quirguistão, Estônia, Letônia, Lituânia e Moldávia tornaram-se repúblicas. A Transcaucásia foi dividida em Azerbaijão, Armênia e Geórgia.

Depois da morte de Lenin, em 1924, Iosif Stalin passou a controlar o Partido Comunista da União Soviética (PCUS) e o governo. Em 1928, propôs o primeiro plano qüinqüenal, que tinha dois objetivos principais: a coletivização das propriedades rurais e o aumento da produção da indústria pesada. Em 1929, Stalin tornou-se ditador.

No plano externo, o receio de ataques de potências não-comunistas tornou-se a principal preocupação e levou a URSS a firmar muitos acordos militares e políticos com democracias do Ocidente.

O país foi invadido pelo Exército alemão em 1941, durante a Segunda Guerra. Mas os alemães não estavam preparados para o rigoroso inverno soviético. A Batalha de Stalingrado foi um momento decisivo da guerra, e, em 1944, os alemães foram expulsos.

Depois, o Exército Vermelho avançou pela Europa Oriental, libertou muitos países do domínio alemão e penetrou no leste da Alemanha, que se rendeu aos Aliados em 1945. Com o fim da guerra, a URSS despontou como potência, embora estivesse arrasada. Milhões de soviéticos morreram, regiões ficaram destruídas e grande parte da economia ficou arruinada.

Guerra Fria. Depois da guerra, os Aliados dividiram Berlim e o restante da Alemanha em zonas de ocupação. A URSS estabeleceu um Estado comunista em sua zona.

Foram instalados governos comunistas nos países da Europa Oriental que haviam sido ajudados durante a guerra. Em 1948, a URSS não permitiu que seus países satélites recebessem ajuda dos EUA por meio do Plano Marshall. A disputa entre leste e oeste, que recebeu o nome de Guerra Fria, espalhou-se pelo mundo.

A URSS criou o Conselho de Ajuda Mútua Econômica (Comecon) em 1949, a fim de controlar a economia dos países-satélites, e o Pacto de Varsóvia (1955), para estabelecer a unidade militar entre as nações comunistas.

A industrialização prosseguiu com novos planos qüinqüenais. O governo também iniciou uma onda de prisões e execuções políticas. Com a morte de Stalin em 1953, Nikita Kruschev tornou-se chefe do PCUS e, em 1958, primeiro-ministro.

Seu governo permitiu o debate político um pouco mais livre. Em 1956, anunciou uma política de coexistência pacífica – sem guerra, mas com competição nos campos da ciência e do desenvolvimento econômico. A China criticou a política soviética, e uma séria divisão ocorreu entre as duas potências comunistas.

Nesse período, ocorreram algumas crises com os EUA. Elas foram causadas, por exemplo, pela descoberta de planos de espionagem e pela construção do Muro de Berlim (1961). Em 1962, o mundo esteve perto de uma guerra nuclear quando os EUA descobriram que a URSS tinha bases de mísseis em Cuba. A tensão dissipou-se somente depois que a URSS retirou os mísseis.

Algumas políticas de Kruschev não tiveram êxito, como os programas agrícola e industrial. Ele foi muito criticado pelo rompimento com a China e pela retirada dos mísseis de Cuba. Em outubro de 1964, renunciou, sendo substituído por Leonid Brejnev, como chefe do PCUS, e por Aleksis Kossíguin, como primeiro-ministro. Em 1965, Brejnev e Kossíguin reorganizaram a economia.

O país manteve firme controle sobre a maioria dos países do bloco comunista anos de 1960 e 1970. Nesse mesmo período, ocorreram novos atritos com os EUA, com destaque para a Guerra do Vietnã e as guerras no Oriente Médio. Apesar disso, em 1969, as duas nações iniciaram entendimentos sobre o controle de armamentos nucleares.

A influência soviética ampliou-se no Terceiro Mundo, principalmente na África. No plano interno, houve um endurecimento da política com a retomada das perseguições, da repressão e da violência.

A posse de Ronald Reagan como presidente dos EUA, em 1980, reativou a corrida armamentista e a Guerra Fria. Os soviéticos, então, desviaram recursos do setor civil da economia para os projetos militares. O resultado foi uma insatisfação popular ainda maior.

Governo Gorbachev. Em 1985, Mikhail Gorbachev assumiu o poder, lançando uma proposta de mudança radical, baseada em duas palavras: a glasnost (transparência) e a perestroika (reestruturação). A primeira se efetuou no plano político; a segunda, no campo econômico.

Gorbachev promoveu uma abertura política de sucesso. No entanto, as medidas para acabar com a estagnação e a ineficiência na economia, adotando-se algumas práticas do capitalismo, tiveram alcance limitado.

Em 1987, o ex-ministro Boris Yeltsin iniciou uma intensa campanha contra Gorbachev. Vários políticos aliaram-se a ele. Em 1989, foram realizadas as primeiras eleições parlamentares com a participação de candidatos não-comunistas. Os reformistas saíram vencedores, e Yeltsin foi eleito presidente do Soviete Supremo.

Por toda a URSS, vários povos que estavam sob domínio soviético começaram organizar movimentos separatistas, a favor da independência política de seus territórios.

Dissolução da URSS. Em junho de 1990, Yeltsin conseguiu aprovar no Soviete uma declaração que colocou sua autoridade acima da de Gorbachev.

No final de 1991, os governos nacionais das ex-repúblicas já não reconheciam a autoridade do governo central soviético. Yeltsin obrigou Gorbachev a renunciar e a assinar o decreto de dissolução da URSS, que se dividiu em várias repúblicas, a principal delas a Federação Russa. Diante do novo quadro, foi necessário criar uma estrutura que permitisse a transição para uma independência total. Yeltsin convocou as antigas repúblicas a formar a Comunidade dos Estados Independentes (CEI).

Ele iniciou em 1992 um ousado plano de reformas econômicas. Houve um acelerado processo de privatização e abertura para o capital estrangeiro. Empresas foram fechadas e o desemprego começou a crescer, resultando em uma grave crise econômica.

No final de 1992, o Parlamento russo recusou-se a aprovar as medidas de Yeltsin e votou a favor de sua destituição. O presidente convocou o Exército, que bombardeou o prédio do Legislativo, matando centenas de pessoas. Em seguida, o Parlamento foi dissolvido. Em 1993, uma nova Constituição foi elaborada.

No ano seguinte, a Rússia participou de um encontro do então Grupo dos Sete (G-7) e foi aceita como observadora.

Invasão da Chechênia. A crise econômica agravou-se, e o Parlamento fez uma acirrada oposição a Yeltsin, vetando a maioria de seus projetos. Em 1994, o Exército russo iniciou uma intervenção na Chechênia, pequena república do Cáucaso que havia declarado sua independência. Em 1995, Yeltsin ordenou um ataque aéreo à capital, Groznyi, que resultou em milhares de civis mortos. A resistência dos chechenos continuou intensa, e, em 1996, os russos conseguiram assumir o controle da república.

Crise Econômica. Yeltsin foi reeleito em 1996. Na política externa, ele reaproximou a Rússia da China e fechou um acordo com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o que levou o país a ser aceito como membro efetivo do G-7 (atual G-8) em 1997. No plano interno, os problemas agravaram-se. Os movimentos separatistas continuaram a desafiar Moscou, e algumas repúblicas declararam unilateralmente sua autonomia.

No início de 1998, a crise econômica tornou-se mais grave. Em março, o país pediu ajuda ao FMI, que propôs um austero programa de controle dos gastos públicos, aumento da arrecadação de impostos e corte nos gastos sociais. Os investidores estrangeiros ficaram receosos e começaram a retirar capital do país.

Em agosto, Yeltsin declarou moratória das dívidas externa e interna, o que abalou todo o mercado financeiro internacional, fazendo com que as bolsas de valores despencassem no mundo inteiro. Yeltsin ficou cada vez mais isolado politicamente.

A Rússia passou a viver uma desordem econômica e institucional, tendo de um lado uma minoria de novos ricos, e, de outro, a maioria da população, sofrendo com salários baixos, desemprego e decadência dos serviços públicos. Em 1999, Yeltsin nomeou para o cargo de primeiro-ministro Vladimir Putin.

No mesmo ano, ocorreu a segunda intervenção militar na Chechênia depois que extremistas islâmicos chechenos invadiram aldeias do Daguestão com o propósito de fundar uma república islâmica.

Governo de Putin. No último dia de 1999, Boris Yeltsin renunciou à Presidência em favor de Putin. Em 2000, este venceu as eleições presidenciais. Mikhail Kasyanov foi nomeado primeiro-ministro.

A Rússia ainda vive um período de recessão, com expressivo aumento da corrupção e da criminalidade. Entretanto, começou a dar sinais de recuperação. A redução das importações estimulou a criação de empresas domésticas. O retorno do investimento estrangeiro, o superávit registrado pela balança comercial e o crescimento da economia são outros bons indicadores de que o país voltou a crescer.

Em outubro de 2002, um grupo de chechenos invadiu um teatro em Moscou, fazendo cerca de 700 reféns. Os seqüestradores exigiam o fim da guerra na Chechênia e a retirada das tropas russas da região. Durante o resgate, 90 civis morreram, além dos seqüestradores, e vários foram internados em estado grave.


Hoje Vladimir Putin é Primeiro Ministro.


Fonte: Click Educação

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